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COLUNA VERDE

A importância de Curuçá.

 

    Por que o Instituto Brasil Justo apóia prioritariamente Comunidades e Iniciativas Socioambientais em Curuçá?

    É prioritária toda a ação voltada a proteção do município de Curuçá e das populações que habitam este município, localizado no Nordeste Paraense, ou no que é conhecido como Zona do Salgado, uma das áreas mais devastadas e com pior distribuição de renda da Amazônia, por que: 

    > 98% da cobertura vegetal desta área foi alterada sem que houvesse qualquer melhoria nas condições de vida dos habitantes locais.
    > os 2% restantes, composto por manguezais, restingas e florestas brejosas, são a base de sobrevivência de mais de trinta mil famílias, que vivem da pesca artesanal de peixe e camarão, da coleta de caranguejo e da agricultura.

    A grande preocupação do IBJ (Instituto Brasil Justo) é conservar estes 2%! Extremamente preciosos! Curuçá possui os manguezais mais altos e biodiversos do planeta! São aproximadamente 85 espécies de peixes (linguado, tainha, robalo e etc), crustáceos (camarão, caranguejo), moluscos (sururu, marisco, ostra), aves nativas (guará, garça, martim-pescador) e até mamíferos (como o boto e o peixe-boi marinho). A região também faz parte da rota de algumas aves migratórias, vindas dos Estados Unidos e Canadá.

    Além disso, existem diversas espécies endêmicas que são aquelas que apenas existem e sobrevivem naquela região. Isto significa que se forem destruídas serão extintas da Terra. Por conta disso Curuçá tornou-se parte do que é conhecido tecnicamente como “Centro de Endemismo de Belém” áreas com graves riscos à biodiversidade.

    Para agravar a situação está prevista para 2015 a construção de um porto em Curuçá, na Ilha da Praia Romana (que é uma das ilhas que compõem o arquipélago de Curuçá). Ambientalistas e estudiosos da região, já fizeram inúmeros alertas, preocupados com o imenso impacto que isto causará, ainda assim o projeto continua em andamento. Sempre com as mesmas justificativas e propagandas de progresso, avanços estes que nunca se revertem para as populações locais. O que ocorre é a destruição dos recursos naturais e um conseqüente quadro de fome, miséria e até trabalho escravo para aqueles que dependem exclusivamente da natureza para sobreviver.

    Em Curuçá, a maioria da população é semi-analfabeta, sem capacitação profissional e 50% da população, o equivalente a quinze mil pessoas, recebe menos de um salário mínimo mensal. Não há praticamente nenhuma opção de emprego e capacitação.

    O que será das trinta mil pessoas que habitam a região e sobrevivem dos recursos naturais se eles se esgotarem?

    Até quando estes 2% de vegetação resistirão?  A cada ano os pescadores são obrigados a remar para mais longe para encontrar os peixes, caranguejos e camarões necessários a sua sobrevivência. A pressão (nacional e internacional) sobre os recursos naturais ainda existentes em Curuçá é ininterrupta. Não se sabe por quanto tempo este santuário resistirá.

    As pressões sobre a fauna e flora vêm de todos os lados: do aumento da pesca, praticada de modo predatório principalmente por pescadores vindos de localidades onde os recursos esgotaram; da caça, da agricultura de subsistência, da exploração madeireira, da diminuição das águas de igarapés, da poluição das águas pelos dejetos humanos, já que não há saneamento básico e finalmente da cobiça de grupos nacionais e internacionais.

    Como impedir que mais recursos sejam esgotados sem gerar o desenvolvimento sustentável na região? É pensando nisso que o IBJ procura gerar renda sustentável nesta região.