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Ecoturismo de Base Comunitária

O Ecoturismo de Base Comunitária é um tipo de turismo alternativo e consciente que conserva o meio-ambiente e gera renda para as comunidades locais.

Neste tipo de turismo quem decide o roteiro é a comunidade e é ela também quem recebe o maior percentual sobre o valor dos serviços, já que é praticado o comércio justo.

O Ecoturismo se baseia em manter o local em seu estado primitivo, protegendo a vegetação, as espécies de plantas e os animais que habitam a região, sem retirá-los de seu habitat natural, sem qualquer manipulação ou interferência, deixando tudo como de fato é, de modo honesto e genuíno, para que o turista tenha experiências autênticas.

Da mesma forma, a comunidade compartilha com os turistas os seus saberes e vivências típicas o que permite o intercâmbio cultural entre os turistas e a comunidade. Ambos ampliam os seus conhecimentos e visões da vida.

Além disso, o ecoturismo de base comunitária propicia a educação ambiental, o desenvolvimento social, o aumento da auto-estima das comunidades locais, além de divertir e reconectar o homem à natureza.

Para Berta Becker, pesquisadora, escritora e membro da Academia Brasileira de Ciências e Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Lyon III, “A floresta amazônica só vai ser conservada quando lhe for atribuído um valor tal que a torne competitiva, com o valor que ela pode ser capaz de gerar enquanto está em pé”. E isto pode ser atingido através do Ecoturismo de Base Comunitária.

Vale ressaltar que dentre as Iniciativas Socioambientais o Ecoturismo de Base Comunitária é sem dúvida o que apresenta o maior potencial de desenvolvimento para a região, já que o grande trunfo que a Amazônia possui está certamente em ser a região de maior biodiversidade do planeta.

A Região Norte do Brasil, onde se situa a maior parte da Amazônia, é sem dúvida diferente de todo o resto do Brasil, um tesouro a ser descoberto pelos próprios brasileiros, cheio de riquezas naturais e culturalmente diversificado pelas influências indígenas, caboclas, negras, européias e etc.

Além das belezas naturais da maior e mais biodiversa flora e fauna, a Amazônia guarda 180 nações indígenas e diferentes comunidades tradicionais (caboclos, ribeirinhos, quilombolas e outros). Para se ter exemplos desta pluralidade cultural:

>Nas danças têm-se o Carimbó, o Lundú, a Marujada, o Retumbão, o Siriá, o Forró, o Tecnobrega e etc.
>Nas festas populares cada município faz sua comemoração e retrata as lendas e o folclore local, com músicas e danças típicas, peculiares, como o Bumba meu Boi, o Çairé e outras. O Círio de Nazaré que ocorre em Outubro é a festa mais importante do ano, superando o Natal.
>Nas artes: o famoso artesanato Marajoara e Rupestre.
>Na culinária: além dos pratos tradicionais brasileiros, acrescentam-se os exóticos Pato no Tucupi, a Maniçoba e o Tacacá.

O Norte é singular até nos hábitos alimentares, por exemplo: o arroz e feijão típicos brasileiros são substituídos pelo peixe com farinha e açaí. A variedade de frutas também é enorme: cupuaçu, bacuri, taperebá, graviola, caju, laranja, açaí, banana, tangerina e muitas outras. Têm também macaxeira, castanhas de caju e do pará ...

A região consegue manter a sua autenticidade, diferente de muitas áreas urbanas que perderam sua identidade a hegemonia cultural norte-americana e européia. O que é de se esperar considerando os percentuais massacrantes de músicas, filmes e programas estrangeiros, principalmente americanos, tocados nas rádios e transmitidos em canais que passam no Brasil. Para se ter uma idéia:

Apenas 12,6% dos filmes exibidos na TV aberta são nacionais e no caso de TV a cabo, piora, mais de 70% de tudo que é exibido vem do exterior, em especial, dos EUA. A Agência Nacional de Cinema registra que somente 6,4% dos filmes exibidos na TV a cabo, no primeiro semestre de 2009, eram brasileiros.

Num mundo globalizado em que cada vez mais se padronizam as culturas e os valores, ainda existe uma Amazônia rara, exclusiva, plural e heterogênea. Assim é difícil compreender que com uma preciosidade desta, o turismo na Amazônia não represente nem 1% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil!

Segundo Charles Clement, “a biodiversidade amazônica representa menos de 1% do PIB do Brasil. Assim, parece contraditório possuir a maior e mais biodiversa floresta tropical do planeta e dela nada extrair economicamente”.

Entendendo um pouco do mercado de turismo e ecoturismo:
(Dados publicados por João Meirelles no Artigo Ecoturismo na Amazônia. João Meirelles é escritor, pesquisador e uma referência nos estudos da Amazônia).

> No Brasil o turismo representa menos de 3% do PIB, bem abaixo da média mundial próxima de 8%. Na maior parte dos países europeus o turismo está acima de 11% do PIB.
> O ecoturismo representa menos de 3% do movimento turístico. A Amazônia deve participar com menos de 10% deste mercado. Na Amazônia o turismo representa menos de 1% e o ecoturismo menos ainda.
> Pode-se afirmar que menos de 0,16% dos 30 milhões de ecoturistas estrangeiros escolhem a Amazônia brasileira como destino.
> Nenhum estado da Amazônia tem no ecoturismo prioridade de governo.
> Nenhum estado ou município da Amazônia investe no ecoturismo mais de 1% de seu orçamento. Ou seja, o ecoturismo não existe na Amazônia do ponto de vista da iniciativa pública.
> Na Amazônia, todas as iniciativas públicas para alavancar o ecoturismo como um efetivo instrumento de desenvolvimento sustentável até o momento foram de pequeno porte e de muito baixo impacto. Basta observar o que representa o turismo na agenda pública da federação, dos governos estaduais e dos poucos municípios que se interessam pelo assunto.

Qual é o Grande Desafio do Ecoturismo de Base Comunitária no Brasil?

Apesar do Brasil ser reconhecido internacionalmente pelo turismo sexual, não é tarde para reverter esta distorção e o ecoturismo crescer, principalmente diante do enorme potencial e das belezas e exclusividades existentes no país, na Amazônia. As áreas que receberam incentivo já são um sucesso econômico e socioambiental: geram renda e conservam o meio-ambiente! É o caso de: Fernando de Noronha (PE), Lençóis Maranhenses (MA), Chapada Diamantina (BA), Bonito (MS) e Brotas (SP).

Para que o desafio de consolidar o ecoturismo se realize, João Meirelles sugere que os pais presenteiem seus filhos, em seus 15 anos com uma viagem para a Amazônia, ao invés de para a Disney. Certamente isto abriria espaço para a reflexão. Um adolescente ou um jovem que tenha a oportunidade de viajar para a Amazônia têm uma probabilidade muito maior de se tornar uma pessoa que atue de modo responsável diante da natureza e dos seres vivos. A experiência poderá despertar neste indivíduo o sentimento de cidadania e o desenvolvimento de valores humanos. É difícil as pessoas sentirem interesse em conservar algo que não conhecem. A forma como esta consciência ambiental e as questões de sustentabilidade crescerão também se formam no núcleo familiar. Afinal, que filhos os pais querem criar para o mundo?

Outra possibilidade para aumentar a conscientização estaria na criação de propostas de ensino voltadas a inclusão da Amazônia em disciplinas existentes no currículo escolar. Esta seria uma forma de integrar a Amazônia dentro da cultura brasileira em todas as regiões do país, o que também despertaria nas crianças e jovens a motivação de preservar/conservar a última grande floresta da Terra.

É fundamental consolidar o Ecoturismo de Base Comunitária num empreendimento rentável para as comunidades rurais da Amazônia!