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Meliponicultura

Embora quase todo mundo saiba o que é Apicultura, quase ninguém ouviu falar de Meliponicultura. A Meliponicultura é assim como a Apicultura o nome dado a atividade de criação racional de abelhas, a única diferença está na espécie de abelha. No caso da Meliponicultura são criadas abelhas chamadas meliponíneos, nativas do Brasil e no caso da Apicultura são criadas abelhas de ferrão africanas, introduzidas no Brasil no período colonial.

Os meliponíneos ou abelhas nativas são abundantes na Amazônia, que é o local do planeta que abriga a maior diversidade delas, mais de cem espécies do tipo!

Cientistas apontam que embora a Apicultura seja uma importante Iniciativa Socioambiental, a Meliponicultura apresenta o maior potencial para conservação da biodiversidade da Amazônia. Isto por que os meliponíneos são os principais agentes polinizadores da maior parte das plantas nativas da Amazônia. Isto significa que com o desmatamento, as queimadas, a poluição dos rios, a transgenia, os agrotóxicos e o aumento das pastagens de boi poderão ocorrer prejuízos não só de extinção de espécies de meliponíneos, mas, de todas as demais espécies de plantas que se reproduzem pelo processo de dispersão de sementes realizado por elas. O que implica em impactos também na agricultura, indústria e comércio.

É preciso compreender que quando se desmata uma área se destrói junto centenas de abelhas que habitam o local e a redução de suas populações afeta a manutenção dos ecossistemas, às vezes endêmicos, já que estas abelhas deixam de reproduzir as plantas. Einstein, um dos mais grandiosos gênios da humanidade, disse: “Se eliminarmos todas as abelhas, o ser humano durará mais poucos meses na Terra”

Outro diferencial da Meliponicultura é que ela pode ser exercida por jovens, mulheres e idosos. A atividade não exige força física e também não apresenta nenhum risco de acidentes ou ataques. Como não possuem ferrão, os meliponíneos são fáceis de manejar.

Além disso, a Meliponicultura é uma atividade perfeita para a agricultura familiar, fornece alimento e remédio com custos baixos ou compatíveis e pode se tornar uma fonte de renda para as comunidades da Amazônia, se elas conseguirem produzir mel suficiente para venda. Os meliponíneos também produzem: pólen, extrato de própolis, cerume, apitoxina e outros.

Se por um lado é ruim que os meliponíneos produzam mel em menor quantidade, por outro, a pouca oferta, torna o litro do mel nativo até 15 vezes mais caro do que o mel tradicional. Dentre as espécies de abelha a nativa Jataí é a que produz mel com mais antibióticos e propriedades medicinais. Apesar disso, a colméia da nativa uruçú é a mais cara.

O sabor delicioso e exótico do mel produzido pelos meliponíneos também contribuem para que seja mais caro. Comparado com o mel tradicional ele é bem menos doce, fluido (com maior umidade) e um pouco ácido.

 

Uma Curiosidade: Por que os meliponíneos também são chamados de abelhas indígenas?

 

As populações indígenas foram as primeiras a manejar as abelhas nativas, alcançando uma expertise rara, com sorte transmitida para os caboclos e ribeirinhos que habitavam locais próximos.  Tradicionalmente o mel é utilizado pelos indígenas não apenas como um complemento alimentar, mas, como remédio para gripes, conjuntivite e cicatrização. Também fermentado em cerimônias religiosas e na fabricação de vinho e cachaça. Já a cera servia para claridade à noite e para fabricação de batoques. Toda esta maestria que as nações indígenas têm com os meliponíneos explicam a criação do termo abelhas indígenas.

 

Obstáculos e Desafios da Meliponicultura:

 

Apesar das inúmeras vantagens e de toda a sua importância, a Meliponicultura ainda não conseguiu se estabelecer como uma fonte de renda para a maior parte dos agricultores brasileiros. Os motivos para isto ocorrer são diversos, sendo que no passado eram muito piores.

Todos os avanços científicos, legais e técnicos na Meliponicultura são o resultado de um esforço conjunto de vários cientistas e ambientalistas. Há, no entanto três, que obrigatoriamente devem ser citados e homenageados. Eles dedicaram suas vidas, apesar da pouca verba, incentivo e reconhecimento.

Os pais da Meliponicultura são: os professores Paulo Nogueira Neto, Warwick Estevam Kerr e o ambientalista Fernando Oliveira.

A Meliponicultura precisa se consolidar como empreendimento, principalmente para os pequenos empreendedores rurais da Amazônia, com renda inferior a um salário mínimo, organizados em associações ou cooperativas.

Mel de abelhas nativas: um produto raro, uma iguaria!

 

Pouquíssimas pessoas sabem que este mel existe e uma gama menor ainda já teve o prazer de saboreá-lo! O mel de abelhas nativas é bem menos doce, fluido (com maior umidade) e um pouco ácido. Estes são os ingredientes que o diferenciam do mel tradicional.

Além de saboroso, o mel das melíponas é um alimento nutritivo, rico em proteínas, sais minerais e outras propriedades.

O motivo deste mel ser considerado uma iguaria, está além das dificuldades já citadas para regularização e comercialização em larga escala. É que cada colméia produz apenas 3 litros de mel e isto só ocorre nos meses de agosto a dezembro, ou seja, não é fácil coletar uma quantidade tão grande.